CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO: O FUTURO É UM TRATAMENTO CADA VEZ MAIS PERSONALIZADO

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CÂNCER DE CABEÇA E PESCOÇO: O FUTURO É UM TRATAMENTO CADA VEZ MAIS PERSONALIZADO

Como a imunoterapia e a pesquisa científica estão permitindo cirurgias mais precisas, seguras e potencialmente menos agressivas.

O tratamento curativo do câncer de cabeça e pescoço ainda está apoiado na cirurgia, complementada por tratamentos adjuvantes adaptados ao risco. No entanto, o impacto funcional e estético permanece substancial e heterogêneo entre os diferentes sítios tumorais e categorias T-N. Uma mudança crucial, porém, está sendo impulsionada pelo advento da imunoterapia, sobretudo por meio de estratégias neoadjuvantes. Avançamos, assim, para uma abordagem cada vez mais personalizada.

Atualmente, alguns pacientes podem receber imunoterapia, associada ou não à quimioterapia, antes da cirurgia. Esse tratamento inicial pode reduzir ou até eliminar parte significativa do tumor. A resposta observada ajuda a equipe médica a planejar melhor o momento e a extensão da operação.

Em pacientes selecionados, isso poderá, no futuro, permitir cirurgias menores, com maior preservação da fala, da deglutição e da aparência. Essa redução da cirurgia, entretanto, ainda deve ser feita com muita cautela, pois o tumor pode desaparecer de forma irregular e deixar pequenos focos de doença. Além disso, o tumor principal e os linfonodos do pescoço nem sempre respondem da mesma maneira. Os exames de imagem também não conseguem, isoladamente, confirmar com segurança a ausência completa do câncer. Alguns estudos têm indicado que ciclos curtos de imunoterapia antes da operação são, em geral, viáveis e não costumam impedir a realização da cirurgia no prazo adequado.

Pacientes que respondem rapidamente podem receber um período adicional de tratamento, enquanto aqueles sem resposta devem ser encaminhados prontamente para a cirurgia. Marcadores no sangue, exames de imagem e análises mais detalhadas do tumor poderão tornar essas decisões ainda mais precisas.

Esses avanços são promissores, mas ainda necessitam de confirmação em estudos maiores, realizados em diferentes centros. A pesquisa contínua é fundamental para transformar boas respostas ao tratamento em maior chance de cura, menor risco de retorno da doença e melhor qualidade de vida.

Na Oncologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço, estudar permanentemente significa oferecer tratamentos mais seguros, eficazes e adaptados às necessidades de cada paciente.

Otávio A. Curioni

Referências: N Engl J Med. 2025; 393 (1): 37–50. doi: 10.1056/NEJMoa2415434 Academia Oncology - 2026, Vol 3 10.20935/AcadOnco8417

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